Religioso ou discípulo de Jesus?

10dez19

Andar com Jesus é uma das experiências mais libertadoras que alguém pode vivenciar, porque quando o coração realmente se abre para recebê-lo e segui-lo, somos libertos para ser quem Deus, de fato, nos criou para ser.

É claro que o mundo continua o mesmo, as lutas continuam vindo e as tempestades ainda se abatem fortemente sobre nós. É claro que nós nos entristecemos, nos abatemos e choramos; mas há uma diferença: estamos seguros nos braços de Deus, porque Ele se torna o nosso amparo, consolo, sabedoria, força e esperança.

Para quem realmente segue a pessoa de Jesus, Ele não é um dogma, uma doutrina, uma crença, uma ideia ou uma instituição; Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Jesus é Deus que se fez homem e entregou a Sua vida na cruz em nosso lugar para nos salvar dos nossos pecados. Jesus é uma Pessoa e você se relaciona com uma pessoa.

Quando lemos os Evangelhos, sem as lentes da religiosidade humana adoecida, percebemos que nunca foi a intenção de Jesus formar uma religião. O tempo todo Ele estava chamando as pessoas a irem a Ele, aprenderem dele e segui-Lo. Ele tocava as pessoas, andava com elas, as ensinava, perdoava e curava. O relacionamento era pessoal com Ele. Tudo girava em torno da pessoa dele.

Jesus não falava de ritos e formas; mas de vida com Ele. Ele nos revelou quem é o Pai Celestial e como podemos conhecê-lo e andar com Ele. A vida eterna, segundo Jesus, é conhecer o único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo a quem Ele enviou.

Pense, por favor, nas palavras com as quais Jesus mesmo se descreveu no Evangelho de João: Luz do mundo, Pão da Vida, Porta, Bom Pastor, Caminho, Verdade, Vida, Ressurreição e Videira. Tudo falava de vida e de um relacionamento pessoal com Ele.

O caminhar com Jesus sempre aconteceu no chão da existência das pessoas. A experiência com Ele sempre foi na caminhada da vida. Nunca foi no êxtase de grandes ajuntamentos, conferências ou congressos, mas no dia a dia.

Triste é pensar que como depois de um encontro com o Autor da vida, nós podemos ser tão negativamente influenciados e adoecer a tal ponto, que nos tornamos apenas em uma caricatura daquilo que poderíamos ser andando com Jesus.

Por causa de uma religiosidade adoecida e deturpada; usando o nome de Deus, perdemos Sua vida; agindo em nome da fé, perdemos a graça, a bondade, a generosidade e a misericórdia; falando em nome da verdade, perdemos a espontaneidade, a leveza, a naturalidade, a alegria e a liberdade de caminhar com Jesus.

O religioso crê em Deus; mas não o vive na caminhada; fala sobre Deus, mas não o experimenta no dia a dia. O Deus que ele crê não é o Deus que Jesus nos apresentou, mas alguém fabricado pelas conveniências e interesses humanos. É o Deus do templo, mas não da vida.

Então, ora, quem vive esta religiosidade é alguém que vive apenas de doutrinas, crenças, superstições e esquisitices; ora, é alguém que vive enxergando o mal e o maligno atrás de cada porta e janela da vida.

Algumas vezes. a pessoa se torna tão pedrada quanto as paredes da instituição ou visão que defende com “unhas e dentes”; ou, então, passa a ter a sua própria espiritualidade particular, cheia de revelações, sonhos e interpretações sem qualquer fundamento naquilo que Jesus realmente ensinou.

O Evangelho no que você crê é segundo Jesus?

Que tristeza ver até que ponto as pessoas chegam em nome da espiritualidade sem o verdadeiro Evangelho de Jesus. Elas perdem a capacidade de viver a vida com liberdade, simplicidade, leveza e verdade. Elas se tornam tão “entendidas” em Deus, que não podem mais ser simples como crianças. Ficam tão cheias das convicções de seu grupo, visão e movimento, que não podem abrir mão de sua teimosia; nem em nome da própria vida.

Seguir a Jesus é algo tão livre como o vento: sopra onde quer, você não sabe de onde vem e nem para onde vai. É livre e incontrolável. É bonito e indomável. É o caminhar de Deus com o homem e do homem com Deus. Tem aroma de vida e não de morte. Abençoa a vida e não a amaldiçoa. Cura a alma e não a adoece. Liberta e não aprisiona.

Fico pensando como tantos ensinos que as pessoas apregoam em nome de Deus, só produzem uma geração de pessoas adoecidas de alma: gente cheia de culpas, medos, cobranças, juízos, vaidades, justiça própria e perturbações; pessoas que não conseguem mais se alegrar nas coisas simples da vida; gente que não consegue mais amar a Deus e o próximo como Jesus ensinou e viveu; gente que não se alegra na graça de Deus nem no que Jesus fez na cruz.

É óbvio que as pessoas, quando ouvem a mensagem do Evangelho, sempre chegam cheias de seus próprios adoecimentos e rachaduras interiores; mas, conhecer o amor de Deus tem o poder de começar um processo de renovação do nosso interior.

O problema é quando, ao invés de seguirmos a pessoa de Jesus, com simplicidade e liberdade, nos colocamos dentro de uma mortalha que a religião tenta nos impôr.

É aí que ao invés de sofrermos apenas por causa dos nossos problemas, passamos a sofrer por eles, e também pelo fato de estarmos sofrendo por causa deles. Afinal, nós achamos que nossa fé deveria nos servir de antídoto contra todo o sofrimento.

Ao invés de sentirmos apenas a dor e o incômodo natural que uma enfermidade possa trazer; sentimos o que é natural e o que é emocional; porque começamos a achar que se somos cristãos, não deveríamos estar passando por aquilo.

Ao invés de sermos livres da culpa e das cobranças, nos tornamos pessoas ainda mais pesadas, pressionadas e cansadas. Na verdade, se já temos uma tendência ao perfeccionismo, ele cresce ao ponto de esmagar, não só a nós mesmos, mas até mesmo as pessoas que se relacionam conosco. Ficamos procurando culpados e explicações, ao invés de corrermos para os braços de Jesus.

Alguém entende que ser discípulo ou aprendiz de Jesus é simplesmente crer nele e desejar ser como Ele? Confiante, obediente e dependente do Pai Celestial como Ele. Misericordioso como Ele. Compassivo como Ele. Simples como Ele. Livre como Ele. Humilde como Ele. Descomplicado como Ele. Cheio de graça como Ele.

Ele é o referencial e o alvo final da nossa fé.

Basta ao discípulo ou ao aprendiz ser como o seu Mestre. Não como aqueles que pensam representá-lo. Não como os que se arrogam o direito de serem os controladores da vida, liberdade e paz alheia.

O discípulo não é alguém glorificado e perfeito; ele é apenas humano. E, justamente, por viver a vida de Deus dentro da mais profunda humanidade, que ele pode seguir os passos de Jesus, dependendo dele. Porque Jesus é Deus que se fez homem; Ele é o Verbo que se fez carne e habitou entre nós. Ele é Aquele que nos amou e deu a Sua vida para nos levar de volta à comunhão com o Pai Celestial, através do Seu sangue derramado na cruz. Ele, o Justo, morreu por nós, os injustos, para levar-nos de volta a Deus. Ele, que nunca conheceu o pecado, se fez pecado por nós, para que nele nos tornemos justiça de Deus.

Podemos voltar para Deus por causa do que Jesus fez na cruz por nós.

Pense que Deus não quer que sejamos apenas cópias de um sistema ou de uma instituição humana. Ele quer que sejamos pessoas que vivem a sua identidade, pessoalidade e individualidade em Sua presença e que aprendem com Jesus a viver e caminhar um dia após o outro na graça que Ele nos deu quando se entregou por nós na cruz. Nós dependemos dele a cada passo do caminho.

O que Ele fez não foi em vão!

Pense sobre isto.

Paulo Cardoso

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